quarta-feira, 29 de abril de 2009

Hugo de Aquino Leão, Dr.


Nasceu em Mutum (MG), aos 30 de março de 1920, falecendo em Belo Horizonte, vitimado por doença cardíaca.

Filho do professor Edward Leão herdou do grande mestre muitas das suas qualidades.
Fez o c urso secundário na cidade de Ponte Nova (MG) e colou grau na escola de direito da UFMG, em Belo Horizonte (MG), no início da década de 1940.

Logo que se formou passou a exercer a advocacia nas comarcas de Raul Soares e das cidades vizinhas.

Advogado culto, orador primoroso, poeta, jornalista, educador, esportista.
Jogou futebol por muitos anos defendendo as cores da associação esportiva raul-soarense, da qual foi um dos fundadores.

Diretor e professor emérito do Instituto São Sebastião, nos cursos ginasial, magistério e técnico em contabilidade lecionando regularmente História do Brasil, Economia Política, Prática Jurídico-Comercial e, eventualmente, outras matérias.

Foi político, exercendo o mandato de vereador à câmara municipal de Raul Soares, eleito pela União Democrática Nacional - a vigorosa e vibrante UDN -, com atuação competente e voltada para o interesse público.

Em 1950 fundou em Raul Soares o partido trabalhista brasileiro - PTB -, participando e integrando-se à vitoriosa campanha às eleições que levaram novamente à Presidência da República o Dr. Getulio Dorneles Vargas, político gaúcho que já havia estado à frente do governo de nosso país durante quinze anos (1930 / 1945).

Candidatando-se a deputado à Assembléia Legislativa de Minas Gerais obteve expressiva votação; insuficiente, porém, para eleger-se.

Escreveu uma bela página homenageando o poeta José Bortolota, seu grande amigo e colega, falecido prematuramente, veiculando esta singular homenagem através do jornal “A Tribuna” que circulou em Raul Soares durante vários anos graças aos esforços e dedicação de José Gonçalves, secretário da Prefeitura Municipal de Raul Soares. Lamentavelmente, me parece que não existem memórias registradas nos órgãos culturais do município em relação a este jornal, nem tampouco a outros, que circularam em nossa cidade em tempos idos. Se existem, seria interessante que nos chegassem às mãos para enriquecimento do acervo que estamos organizando.

O Dr. Hugo de Aquino Leão, ainda estudante, fez adaptações de obras primas da literatura levadas ao ar através do grande teatro da Rádio Inconfidência nos saudosos tempos em que a emissora funcionou em prédio no local onde hoje está o terminal rodoviário, na cidade de Belo Horizonte (MG).

Com o brilho de sua inteligência o Dr. Hugo de Aquino Leão enriqueceu culturalmente a nossa cidade com as belas crônicas que divulgava, à hora de Ângelus, em serviço de alto-falante que, à falta de uma emissora de rádio, funcionava na área central da cidade.

José Ferreira Bastos, filho de nosso saudoso Waldemar Bastos, foi o responsável pelo funcionamento deste alto-falante. José bastos, com a sua voz incomparável dava vida aos textos com a sonoridade e beleza de sua leitura e interpretação.

Sempre procurando disseminar a cultura, a sua verdadeira vocação, o Dr. Hugo de Aquino Leão fundou o jornal “O Imparcial”, tendo por companheiro o dileto amigo Sr. Alcides Toledo da Silva, que por muitos anos foi secretário do instituto são Sebastião. Em “o imparcial”, na coluna “a eles a nossa gratidão”, publicou uma série de textos homenageando os cidadãos que por suas realizações em nossa terra contribuíram para o nosso progresso e desenvolvimento. Desfilaram por aquela passarela: Césare Augusto Tartaglia, o fundador da Tarza; Dr. Armando Sodré, fazendeiro, político, industrial; Dr. Manoel Máximo Barbosa, industrial e fundador da Vila Barbosa, e outros, muitos outros.

Através de concurso público o Dr. Hugo de Aquino Leão investiu-se no cargo de delegado de carreira da Secretária de Segurança Pública do Estado de Minas Gerais, sendo nomeado para a cidade de Itaúna. Fixou, então, residência em Belo Horizonte (MG), a fim de facilitar os estudos de seus filhos. seu espírito conciliador, a sua cultura e a sua capacidade de diálogo, aliados à sua competência e inteligência, foram recursos decisivos e poderosos que contribuíram para vencer muitas dificuldades no exercício do espinhoso cargo em um momento conturbado da economia brasileira a motivar greves de trabalhadores naquela importante cidade industrial de nosso estado, com grande número de operários na área metalúrgica.

O poeta Gonçalves da Costa, um dos mais assíduos colaboradores do jornal “O Imparcial”, de uma certa feita, assim se expressou: “doutor Hugo, artista de origem, artista abnegado... uma espécie de Walt Wieman brasileiro, que diz o que é preciso dizer, para retratar a verdade incisiva numa linguagem aprendida com as flores iluminadas da infância.”

Como forma de enriquecer este nosso modesto e despretensioso trabalho transcrevemos a seguir o poema “A Farsa”, que a inspiração do Dr. Hugo de Aquino leão nos deixou:

A Farsa

Nossa mágoa infinita em calma travestida,
Apertamos as mãos indiferentemente,
como as imposições sociais, tão somente,
Nos unissem na tua angustiosa partida.

Simulamos tão bem! Com que atitude ausente,
E impassível senti ruir-se a minha vida.
E tu, como soubeste, então, fugir, querida,
A malícia veraz de toda aquela gente!

Nem o mais leve gesto, ou palavra, acusou
A nossa angústia interior. partiste; e o singular
Mistério desse adeus, ninguém desvirginou.

Os que estavam mais perto, eu sei, não perceberam
O longo beijo que trocamos pelo olhar,
As palavras de amor que as nossas mãos disseram.

Autoria: José Geraldo Leal

3 comentários:

  1. que honra que tenho de saber que meu avô o prof. Alcides participou um pouco da história de Raul Soares.

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  2. Desejo saber se este senhor Dr.Hugo Leão se é o mesmo que foi casado com Mirtes Ribeiro de Oliveira, de Entre Rios de Minas,MG.

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